Leite brasileiro quer ganhar qualidade e abrir mercados com novas normas de produção

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

As normativas 76 e 77 pretendem melhorar os padrões de qualidade do produto, mas temor é de que pequenos produtores tenham a atividade inviabilizada.

Os chamados resfriadores de imersão, usados para armazenar leite nas propriedades, devem ser aposentados de vez com a entrada em vigor de novas regras para a produção leiteira em todo o País. E o produto também deverá ser recolhido em até dois dias para um laticínio.


Essas são algumas das alterações propostas pelas instruções normativas 76 e 77 do Ministério da Agricultura e que estão sendo implementadas. No Sudoeste, a maior bacia leiteira do Estado, as adequações foram apresentadas a produtores e laticínios, num encontro realizado na Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná). Organizado pelo núcleo regional da Seab e Faep, o workshop trouxe técnicos do Mapa para tratar das metodologias da Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL).


Com as mudanças, o governo pretende tornar o leite brasileiro mais atrativo para outros países. “O Brasil é o maior produtor de proteína animal do mundo e somos referência em exportação de carne de aves, suínos e bovinos, mas no caso do leite ainda precisamos importar de outros países, mesmo tendo a 5ª maior produção mundial”, explica o veterinário Antonio Carlos Prestes, fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura.

Outras mudanças
As instruções normativas também estabelecem que somente resfriadores de expansão direta ou os resfriadores à placas poderão ser usados nas propriedades. Tanques comunitários continuam existindo, mas com regras mais claras sobre seu registro, instalação e análises quando houver a mistura de diferentes leites.


O transporte a granel até o laticínio continua permitido, mas a temperatura do leite não deve passar de sete graus – em casos excepcionais, como de desastres naturais, pode chegar a nove graus. Antes de ir para o caminhão tanque, uma amostra do leite deve ser coletada. Também há mudanças nos parâmetros microbiológicos do leite cru refrigerado e na periodicidade de análises, além de maior rigor com a contagem de enterobactérias.

Seminários municipais
Para que as novas regras cheguem a toda cadeia na região uma força tarefa entre órgãos e entidades agropecuárias, incluindo a Amsop, irá promover encontros municipais com agricultores. “Vamos levar instrutores para os municípios da região para passar essas informações, de como o produtor poderá, com ações simples, melhorar a qualidade da produção e se enquadrar nas novas normas”, diz Denise Adamchuck, chefe regional da Seab.

Produtor favorável
Tem produtor que está achando as mudanças positivas porque irão ajudar a equilibrar o nível de qualidade do produto. É o caso de Leoclínio Brufatti, de Francisco Beltrão, que está há 25 anos na atividade e acompanhou muitas mudanças no setor. “Quando comecei era tudo guardado em tarro, hoje já vai direto encanado pro resfriador. Acho que será positivo adequar, porque quem cuida bem da sanidade do gado, tem as boas práticas de limpeza, de armazenamento, vai tá trabalhando certo e nosso produto será bem visto”, afirma. Ele produz cerca de 18 mil litros/mês.

Produtores e técnicos de laticínios participaram das palestras sobre as mudanças.

Fetraf teme que produtores sejam excluídos da atividade

Durante o evento na Amsop, o coordenador da Fetraf-PR (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Paraná), Elizandro Krajczyk, entregou uma pauta com 11 itens contrários à implementação das normativas. Segundo ele, as novas regras vão prejudicar pequenos produtores de leite.


“Nossa preocupação é com aqueles produtores que não vão conseguir se adequar e que na maioria dos casos têm no leite a única atividade. Não queremos que os agricultores familiares sejam excluídos da cadeia leiteira devido ao aumento das normas”, declarou Krajczyk.


A pauta foi entregue à chefe regional da Seab, Denise Adamchuck, à chefe da Divisão de Desenvolvimento Agropecuário da Superintendência do Mapa, Eloisa Prehs, ao diretor executivo da Amsop, José Kresteniuk, e à deputada estadual Luciana Rafagnin, presidente do Bloco Parlamentar da Agricultura Familiar na Assembleia.


As lideranças se manifestaram e afirmaram que vão trabalhar para permitir que as adequações sejam possíveis a todos os produtores.

Elizandro Krajczyk entregou uma pauta com pedidos para a Amsop, Seab, Alep e Mapa. Na foto também estão José Kresteniuk, deputada Luciana Rafagnin, Denise Adamchuck e Eloisa Prehs.

Fonte: JB
 
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